O LIVRO AGRADECIMENTO
Este livro veio a público graças à abertura fraterna da nossa Santa Casa da Misericórdia.
Na pessoa do seu Ex.mo Provedor, Dr. Manuel Antunes Correia, agradeço, penhoradíssima a todos os membros da Mesa Administrativa e a quantos integram a equipa de trabalhadores à qual se deve o crescimento desta prestigiada Instituição.
Bem hajam.
A autora, irmã Lusitânia Fonseca
A GUISA DE PREFÁCIO
Acedo, com a maior satisfação, ao pedido de contribuir para este livro com breve testemunho sobre a autora, senhora D. Lusitânia Emília Augusta Lopes da Fonseca, normalmente conhecida e tratada pelo carinhoso diminutivo de "D. Taninha".
Antes de mais, louvo e aplaudo a feliz iniciativa da publicação dos presentes inéditos poemas portadores de uma clara mensagem humanista e cristã.
A autora cometeria um "pecado de omissão" se os deixasse, por mais tempo, em hibernação no fundo escuro de uma gaveta.
Qualquer pessoa em quem Deus depositou qualidades e virtudes, dotes de inteligência e de coração, tem o dever de os transmitir aos outros, à sociedade. O que temos e o que somos é para ser partilhado!
Todos sentimos que "o egoísmo é a pior doença do coração"!Tanto os que tiveram o condão de serem alunos da senhora D. Taninha, como os seus pares na docência, sabem como ela foi sempre Mestra consciente e segura do seu saber; disciplinadora exigente e delicada, impondo respeito ao mesmo tempo que, com o seu fino trato, captava simpatia e estima cordial; fomentadora da sociedade e do espírito fraternal entre os escolares; amiga certa e até mãe confidente), nas horas incertas década um dos seus discípulos...
Assim se compreende o justificado prestígio que ainda hoje a acompanha.
O que, tão resumidamente, acabo de dizer pude confirmá-lo, plenamente, durante os quatro anos, na década de oitenta, em que a senhora D. Taninha, impelida pelo seu amor ao nosso Seminário do Fundão, aqui leccionou com proficiência, graciosamente, a disciplina de Francês.
A senhora D. Taninha sempre entendeu que ser Professora é uma "missão" e não uma simples "profissão"! Por isso, sempre se bateu pelo cumprimento do duplo dever de ensinar e educar!
Abordada, ao de leve, esta faceta da autora, não posso deixar de me referir a outra, talvez menos reconhecida, mas mais a propósito, visto o meu testemunho se destinar a este seu livro de poesia.
A natureza de uma pessoa manifesta-se na história da sua vida e nas relações que estabelece com as pessoas, com as coisas, com todas as criaturas que a rodeiam. Ora,
da leitura atenta destes poemas ressalta o espírito "franciscano" de que a senhora D. Taninha se encontra imbuída!
Ser "franciscano", é abraçar a todos, particularmente às coisas pequeninas, frágeis e castas, é sorrir aos pobrezinhos, às plantazinhas, aos passarinhos e até aos lobos, como se todos fôssemos irmãos!
Ser "franciscano" é levantar os braços para as andorinhas que voam no céu azul, vestidas de luto, abrindo as asas em forma de cruz, a ensinar-nos a irmanar o drama do amor e da dor!
Ser "franciscano" é contemplar, sem se cansar, o nascimento de uma flor; é extasiar-se perante a beleza de uma pétala; é concentrar-se em acção de graças ao Senhor diante de uma árvore carregada de fruto!
Ser "franciscano" é acarinhar o que os outros desprezam e deitam fora por cacos, trapos e farrapos, velhas rendas manuais inacabadas, pedaços de tábuas quinhentistas, antigos objectos de culto, imagens partidas de Cristo, estampa de santos..., tudo donde se desprenda a voz de antanho!
Ser "franciscano" é descobrir em todas as coisas a sabedoria, o amor e a omnipotência de Deus; é ler toda a paisagem como se lê o "Ofício Divino"; é querer o Universo inteiro a louvar, com o nosso coração e os nossos lábios, a Deus Criador e Providência!
É este espírito do Poverello, S. Francisco de Assis, que foi, ao mesmo tempo, poeta e místico, que inspira e alimenta a ALMA POÉTICA da senhora D. Taninha que faz da sua oração poesia e da sua poesia oração!
Fundão, 11 de Fevereiro de 2006
Cónego Mário Gonçalves
Ao tomar conhecimento dos versos publicados neste livro da D. Taninha, lembrei--me de Fernando Pessoa que na sua obra imortal refere: "Pode não ser lógico o que por vezes fazemos mas é humano e, entre homens, é o humano que vinga".
E este humanismo que conseguiu transmitir-nos nestes poemas. Todos os que tivemos o privilégio de a conhecer bem, sabemos quanta dedicação, e paixão teve pelas causas da Solidariedade e Voluntariado nas múltiplas vertentes individuais e colectivas que durante anos se tornaram para a D. Taninha, a ocupação central das suas actividades particulares e profissionais. Nestas últimas, tive o privilégio de colaborar de muito perto com esta senhora na Escola Preparatória João Franco onde, através dos acontecimentos (dramas, alegrias e tristezas vividas) fiquei a admirá-la como pedagoga e como responsável do sector social do refeitório onde demonstrou na prática o que transmite nos seus versos. Por tudo isto, parabéns. Esperamos novas publicações para nosso enriquecimento.
A nossa Misericórdia sente-se orgulhosa por ter sido escolhida para participar nesta publicação.
DIZEM OS AMIGOS...Manuel Antunes Correia (Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Fundão)
Lusitânia, o nome de baptismo da Taninha, trouxe-me à mente a nossa pequena casa lusitana, um rectângulo de terra entalhada entre dois azuis: o do céu e o do mar, o que explica que Portugal seja uma terra de Poetas.
Ao saborear o livro "Paz e Bem" apetece-me citar Calderon de Ia Barca: "Todo es segun el color de los ojos com que se mira". Aqui está o sortilégio da Taninha: saber ver, saber olhar não só fisicamente mas com o olhar místico que procedi da alma. Na sua poesia há, pois, o amplexo do bem e do belo, da ética com a estética, da rima com o ritmo.
A Taninha foi enriquecida pelo Senhor do dom carismático da Poesia. Louvemo-lo por isso. Gostaria de comentar alguns dos seus versos "O Mãe", "Mãe Terra", "Mea Culpa", "O Ninho", etc., mas não me posso alongar.
Bastaria o poema "A Pedra" para perpetuar o nome da Taninha
na Antologia Lírica da Literatura Portuguesa. Chama ela "pobre livrinho" aos
poemas que integram o seu "Depois do Silêncio...". Como seu leitor e admirador
deixe-me terminar assim: os poemas de "Paz e Bem" Espelham o azul dos céus
Dê-nos mais versos, Taninha E daremos "Graças a Deus"
Cónego António Mendes Fernandes (Arcipreste Emérito da Covilhã)
A turma decretou dia feriado. Ou para fazer jus à fama de cábula de que se ufanava, ou para ganhar fôlego para os pontos do fim do ano, ou pela saudade das cerejas que nos quintais do arrabalde já ruborizavam à espera da rapaziada, ou pela necessidade de afirmar a vontade própria que já havia, não restassem dúvidas. Ou talvez por tudo. Ou por nada. A deliberação foi tomada sem abstenções e com a aclamação do "morra quem se negue". O marialvismo, parente bastardo da valentia, impunha que a deliberação fosse executada com altivo esquecimento do corpo docente. Mas havia um porém: era dia de aula de português ao final da manhã. Era mister que se cuidasse desse pormaior; não que o canto décimo metesse medo, não que o rosa rosae declinasse a fúria pelas férias que não havia meio de chegarem; não, nada disso era outro o cuidado: era a pessoa da mestra da língua, que mais do que uma professora ela era patrona do verbo, raiz do falar, caule do crescer, margem das cantigas de amigo, leito da rima pátria, prosa de Lusitânia-mãe. Encarregou-se um dos mais novos de anunciar à mestra que a trégua na escola era armistício na disciplina. O mensageiro foi recebido (sabe Deus com que ganas interiores...) pelo olhar compassivo e cúmplice de sempre: que se cumprisse então a greve, mas que a madureza da decisão merecesse forma de compromisso que cada um escrevesse por seu punho o que faria desse dia. Celebrou--se o pacto, com uma adenda: se alguma das escritas declarações tivesse por si defensor, que se apresentasse ele só voluntário sendo, claro estava. Demorou meia hora a chegada das laudas à interlocutora a sua casa, que a sala de aula fora proscrita de abstinência total. Puxou-se uma cadeira para quem chegasse; e foram-se buscando outras. Em um par de minutos a turma comparecia inteira. Nem um só faltoso.
Este foi apenas um episódio e que vale um episódio só?. Nada, se for gratuito. Mas não o foi este. Este foi, em meia dúzia de linhas, uma simples página de um volumoso livro, feito manual de muitas vidas. Foi resultado e testemunho de uma companhia em tempo inteiro nos dias da solidão, de um alento sempre presente nos dias difíceis, de um estímulo sempre gracioso nos dias da esperança. Foi sinal da passagem de quem dava em cada dia o prémio que é aprender e dava mais: dava a palavra que faltava ser ouvida, dava o gesto de que se sentia carência, dava a lição do que se não sabia, dava o apoio onde ele faltasse e no que quer que ele falhasse. E sempre discretamente (quantas vezes secretamente, quando o que supria era o próprio pão do estômago...). Foi Mulher que, recebendo do Destino a cruz de não ser mãe biológica, fez da cruz oportunidade e deu à luz cidadãos, mundividências, consciências e caracteres e foi prova de que, como sentiu Florbela, ser poeta "É ser mendigo e dar como quem seja / Rei do Reino de Aquém e de Além dor". Foi foco de alquimista e luz radiante que em tempos pobres e tantas vezes de escuridão rasgou claros dias de ouro e que por isso permaneceu, qual indelével símbolo da meiga saudade, no devir de uma geração que pela mão da mestra caminhou para gente.
Seguiram os daquela geração as suas vidas e talvez alguns não ficassem para ver que a poesia que neles se fez não era acaso nem se confinava por ali. Porque só o tempo, esse filtro da verdade pura e íntima, abriu inteira aquela janela de alma a dar para o mundo todo, espalhou imensa aquela brisa a dar-se fresca a quem quer que ofegasse, mostrou a claro esta vida de exaltação das coisas simples. Terão os adoptivos filhos de Lusitânia seguido as suas vidas, alguns por menos perto. Mas a nenhum deles, tocado por aquela "intacta memória" que inspirou Sophia, admirará que tão fácil se revele a palavra na Poesia brotada da mesma fonte. A nenhum surpreenderá que tenha despontado da horta, do ribeirinho, da borboleta, das rosas, da margarida e até da pedra ("Cruzeiro de Adro / Terrível pelourinho / Ou português padrão") este continuado poema de franciscana devoção. Porque o livro que agora se completa é, afinal, um código de poesia viva e vivida na inspiração de que "Não se prega só no Templo ... que o melhor sermão é o que prega o nosso exemplo".
António Leal Salvado
"AMICITIA SANCTUM ET VENERABILE NOMEN" OVÍDIO, TRISTITIA - 1:8, 15
A amizade é uma palavra sagrada e venerável, não existindo qualquer
conceito para a definir. É um sentimento recíproco e desinteressado. Foi-me transmitido,
por osmose, por minha mulher e dura até hoje, decorridos mais de cinquenta anos, já que
a Lili tinha nove anos quando conheceu a Taninha. Era ela uma jovem Senhora tornada
fundanense pelo matrimónio e hoje, por convicção e direito próprio.
Damos graças a Deus por ter como amiga a extraordinária Senhora com cujos caminhos nos
cruzámos.
A Poesia é a expressão das almas eleitas. A Taninha brindou-nos agora com um livro de
poemas.
Bem haja Sra. D. Lusitânia da Fonseca, nossa querida afilhada.
Maria Lívia (Lili) Clemente Travassos José T. Salvado Travassos
Há muitos anos já que uma grande amizade nos liga à Senhora D. Taninha. Ela tem sido para nós a amiga dos bons e maus momentos da vida. Companheira em todas as ocasiões, sempre disponível para ajudar, muito temos recebido da sua alegria e experiência. Os seus versos sempre fizeram parte dos nossos convívios e passeios. Deus, que lhe deu este dom, continue a abençoar a sua poesia.
As amigas: Mariete Amorim; Fernanda Simões; M.a do
Carmo Certeiro
O espírito de S. Francisco perpassa docemente pelas páginas deste livro. Nele transparece, além do sentido de fraternidade, o deslumbramento da sua Autora perante a Natureza e a gratidão pelo seu Criador.
Maria Cláudia Rebordão
Há poesia no ar!...
Quando a professora Taninha leccionava a literatura, o francês ou o grego, não estaríamos tão despertos para a magia da poesia. Hoje lemos, relemos com prazer a obra poética da madrinha Taninha e sentimo-nos enlevados, felizes e gratos por pertencermos ao seu círculo familiar e podermos ser brindados com a sua amizade. Bem haja. Parabéns
Maria da Luz e Virgílio Santos...
...E A FAMÍLIA
Taninha
Dar-te-ia versos bonitos
Nem feios eu sei fazer
Do fundo do coração
Isto te quero dizer:
És minha irmã., minha querida.
Que mais eu posso querer?
Felicidades para o teu livrinho
Tua Irmã Leta
Em poesia tecida
Lusitânia - Taninha
querida.
Mana/mamã
ontem, hoje e amanhã
minha.
Teu irmão Abílio e tua cunhada Lena
TIA TANINHA
Os seus poemas trazem consigo o sabor, o cheiro e o profundo sentir de
quem soube (e continua a saber) que viver é amar as pessoas e as coisas mais simples da
vida.
A sua poesia, é para nós uma inestimável lição de vida.
Bem Haja
Os seus sobrinhos Guida, Luís, João
Para falar da Tia Taninha, as palavras são pequenas...
O Mundo não cabe numa frase!
Dos "filhos" que sempre teve Mercês, Zé, Margarida e António
A Tia Taninha, quando, não consegue dormir, faz versos. E caso para
dizer, brincando: abençoadas insónias!
Agora a sério: Muitos beijinhos, com muitas felicidades para o seu livro
Dos sobrinhos Maria dos Anjos e António Pião
Um dia a Tia Taninha leu-me alguns dos seus poemas. Gostei imenso. Experiente na edição de sites na Internet, fiz-lhe a surpresa de editar uma página com alguns poemas ilustrados com fotografias. São para cima de sete mil as visitas já registadas. Com meu Tio, animei-a a publicar um livro, acessível a um maior número de pessoas. Aqui está pois o seu livro de belos poemas, para o posteridade.
Parabéns Tia, e continue, para nosso grande prazer.
Os sobrinhos Telémaco e Guida Pissarro.
Nasce-se poeta sem querer. Não se é poeta querendo sê-lo.
A poesia faz parte da alma, ligada ao sentimento, unida à sensibilidade, despertada pela
inspiração, motivada por tudo quanto a alma do poeta vê de maneira diferente e
fazendo-nos sentir a poesia.
A rima pode entrar no ouvido mas os poemas saem sempre do coração.
A Taninha (Lusitânia) teve o dom e a graça de nascer poetisa. Para a nossa família
Fonseca é referência e motivo de orgulho. Devemos-lhe a letra do Hino dos Fonsecas,
musicado pelo nosso primo Joaquim da Fonseca.
São muitas as motivações que inspiram a Taninha, criando Arte, mas as mais sublimes
expressam o seu profundo sentido religioso e cultural. Aguardamos com ansiedade o seu novo
livro de poemas, expressando desde já o nosso muito Bem Haja!
Teu primo Adriano Vasco da Fonseca